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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
as sombras de Orfeu
“O jato de sangue é poesia
Não há nada que o detenha”
(Sylvia Plath)
tenho a fragrância do sangue em meus dedos
a poesia pulsa fosforescente
na rubridez que escorre
e ondula
a fulgidez enlanguescida dos sonhos
o meu silêncio fluido
uiva
o beijo seco e os olhos náufragos
d’algum encanto a volúpia
surja
radiosa num rastilho de pétalas
a rosa aflora nua
os nervos dos meus frouxos versos
na convulsão da madrugada em fulgurações
cobre de lírios o insepulto canto
a flama e o desejo proclamo
perdido entre verbos e açucenas
a vaporosa lua se derrama
em minhas mãos
Não há nada que o detenha”
(Sylvia Plath)
tenho a fragrância do sangue em meus dedos
a poesia pulsa fosforescente
na rubridez que escorre
e ondula
a fulgidez enlanguescida dos sonhos
o meu silêncio fluido
uiva
o beijo seco e os olhos náufragos
d’algum encanto a volúpia
surja
radiosa num rastilho de pétalas
a rosa aflora nua
os nervos dos meus frouxos versos
na convulsão da madrugada em fulgurações
cobre de lírios o insepulto canto
a flama e o desejo proclamo
perdido entre verbos e açucenas
a vaporosa lua se derrama
em minhas mãos
terça-feira, 2 de agosto de 2011
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
domingo, 16 de janeiro de 2011
tus ojos en el agua negro
a vida é um sopro
que escorre entre os dedos
é um lírio
que ascende
envelhece
e some
sem deixar rastro
embora o seu odor
se conheça –
a vida o amor
também é um sopro
embora eterno
é tão-somente deserto
intranqüilo
na sua razão
no seu toque
trêmulo que a todos chega
o sonho que é fuga
na solidão a que estamos condenados
lembrar
do que era deleite
vivo
até que nós mesmo
sejamos sonho
no encanto de uma lápide
nas linhas de um livro
num banco
inscrito na areia
essa substância
que nos preenche de nada
e que ao mesmo tempo
é o espelho dos desejos
das nossas tristezas
do nosso sopro
que seja eterno esse vento
essa brisa lunar
que é humana
e que cessa
como a chama
do sol queimando nossos corações
do amor que é lírio
ressoai as trombetas do inferno
no instante do céu
um pulsar
nos olhos que se fecham
enquanto outro lírio nasce
e outros lábios descubram
do que é feito a cor
a vida – esse mistério de peles
que atraem-se
esse encanto de corpos delineados
esse reluzir à meia-noite
en el vientre de las flores
que escorre entre os dedos
é um lírio
que ascende
envelhece
e some
sem deixar rastro
embora o seu odor
se conheça –
a vida o amor
também é um sopro
embora eterno
é tão-somente deserto
intranqüilo
na sua razão
no seu toque
trêmulo que a todos chega
o sonho que é fuga
na solidão a que estamos condenados
lembrar
do que era deleite
vivo
até que nós mesmo
sejamos sonho
no encanto de uma lápide
nas linhas de um livro
num banco
inscrito na areia
essa substância
que nos preenche de nada
e que ao mesmo tempo
é o espelho dos desejos
das nossas tristezas
do nosso sopro
que seja eterno esse vento
essa brisa lunar
que é humana
e que cessa
como a chama
do sol queimando nossos corações
do amor que é lírio
ressoai as trombetas do inferno
no instante do céu
um pulsar
nos olhos que se fecham
enquanto outro lírio nasce
e outros lábios descubram
do que é feito a cor
a vida – esse mistério de peles
que atraem-se
esse encanto de corpos delineados
esse reluzir à meia-noite
en el vientre de las flores
domingo, 5 de dezembro de 2010
a indefinição do amor
amo
o teu encanto
que é segredo de encantos
lua n’água em reflexo pleno
sol no ar em transe suspenso
amo
a tua forma
que é a síntese de várias formas
feitio de pétalas soltas ao vento
graça de auroras no firmamento
amo
a tua expressão
objetivo calado do verbo
síntese completa da idéia desejo
calor horizontal que termina nos lábios
amo
o teu gesto
compulsivo – quase insano
de mulher
o teu encanto
que é segredo de encantos
lua n’água em reflexo pleno
sol no ar em transe suspenso
amo
a tua forma
que é a síntese de várias formas
feitio de pétalas soltas ao vento
graça de auroras no firmamento
amo
a tua expressão
objetivo calado do verbo
síntese completa da idéia desejo
calor horizontal que termina nos lábios
amo
o teu gesto
compulsivo – quase insano
de mulher
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
thanatos
angústia
é não saber o que virá
quando o sopro que infla
findar,
e restar somente o nome
sem o tempo
imerso na ausência,
e não saber se o que é matéria
dilui um nada
de existência,
e resta o filho
com o nome do pai
que é o avô –
bisneto da saudade que há
e mesmo ela, a saudade
conduz
à outra saudade
que é saudade multiplicada
por milênios,
angústia
é não deter a finitude
quando o corpo já não responde,
e a sombra
transcende
cerrando o medo da verdade –
onde somos poeira
varrendo o cosmos da solidão
que se encontra poeira, de mais poeira
somos sol, que brilha e apaga
é não saber o que virá
quando o sopro que infla
findar,
e restar somente o nome
sem o tempo
imerso na ausência,
e não saber se o que é matéria
dilui um nada
de existência,
e resta o filho
com o nome do pai
que é o avô –
bisneto da saudade que há
e mesmo ela, a saudade
conduz
à outra saudade
que é saudade multiplicada
por milênios,
angústia
é não deter a finitude
quando o corpo já não responde,
e a sombra
transcende
cerrando o medo da verdade –
onde somos poeira
varrendo o cosmos da solidão
que se encontra poeira, de mais poeira
somos sol, que brilha e apaga
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
fulgidez
menina d’água
de rubrosas pernas
desejo tua pele de gelo
menina d’alma
florei tuas arcas
de destino venturoso,
fui teu servo mais íntimo
e o mais acerbo
sombrio e quimérico
a tua injúria e o teu suplício
um invólucro noturno na luxúria
o ópio e a melancolia,
agora, que foste embora do meu leito
respiro n’alma os lençóis úmidos do amor
que deixaste, o odor amargo do teu calor
que aos poucos esvai-se, do meu peito
de rubrosas pernas
desejo tua pele de gelo
menina d’alma
florei tuas arcas
de destino venturoso,
fui teu servo mais íntimo
e o mais acerbo
sombrio e quimérico
a tua injúria e o teu suplício
um invólucro noturno na luxúria
o ópio e a melancolia,
agora, que foste embora do meu leito
respiro n’alma os lençóis úmidos do amor
que deixaste, o odor amargo do teu calor
que aos poucos esvai-se, do meu peito
o vagabundo iluminado
devora-me, ó inverno de passado sublime
leva meu corpo trêmulo
antes que o devore negro túmulo
deixa-me preso com as púrpuras margaridas no sangue
a neve farta para que não me falte a febre
a neblina espessa para que meus olhos não sintam a morte,
livra-me o peso do mundo, tenho fome
a sede fluida das montanhas ondulosas
ao pé da bruma remoto meus pecados maculados
no soluço estancado dos remorsos
o delírio murmurejante das lágrimas
dá-me a paz dos amantes, o encanto soante,
olhai meus sonhos marejados
brotados do Igaraçu
dos náufragos no azul
deixa-me o gozo dos homens supérfluos
leva meu corpo trêmulo
antes que o devore negro túmulo
deixa-me preso com as púrpuras margaridas no sangue
a neve farta para que não me falte a febre
a neblina espessa para que meus olhos não sintam a morte,
livra-me o peso do mundo, tenho fome
a sede fluida das montanhas ondulosas
ao pé da bruma remoto meus pecados maculados
no soluço estancado dos remorsos
o delírio murmurejante das lágrimas
dá-me a paz dos amantes, o encanto soante,
olhai meus sonhos marejados
brotados do Igaraçu
dos náufragos no azul
deixa-me o gozo dos homens supérfluos
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