terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

domingo, 16 de janeiro de 2011

tus ojos en el agua negro

a vida é um sopro

que escorre entre os dedos

é um lírio

que ascende

envelhece

e some

sem deixar rastro

embora o seu odor

se conheça –

a vida o amor

também é um sopro

embora eterno

é tão-somente deserto

intranqüilo

na sua razão

no seu toque

trêmulo que a todos chega

o sonho que é fuga

na solidão a que estamos condenados

lembrar

do que era deleite

vivo

até que nós mesmo

sejamos sonho

no encanto de uma lápide

nas linhas de um livro

num banco

inscrito na areia

essa substância

que nos preenche de nada

e que ao mesmo tempo

é o espelho dos desejos

das nossas tristezas

do nosso sopro

que seja eterno esse vento

essa brisa lunar

que é humana

e que cessa

como a chama

do sol queimando nossos corações

do amor que é lírio

ressoai as trombetas do inferno

no instante do céu

um pulsar

nos olhos que se fecham

enquanto outro lírio nasce

e outros lábios descubram

do que é feito a cor

a vida – esse mistério de peles

que atraem-se

esse encanto de corpos delineados

esse reluzir à meia-noite

en el vientre de las flores

domingo, 5 de dezembro de 2010

a indefinição do amor

amo
o teu encanto
que é segredo de encantos
lua n’água em reflexo pleno
sol no ar em transe suspenso
amo
a tua forma
que é a síntese de várias formas
feitio de pétalas soltas ao vento
graça de auroras no firmamento
amo
a tua expressão
objetivo calado do verbo
síntese completa da idéia desejo
calor horizontal que termina nos lábios
amo
o teu gesto
compulsivo – quase insano
de mulher

sábado, 13 de novembro de 2010

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

thanatos

angústia
é não saber o que virá
quando o sopro que infla
findar,

e restar somente o nome
sem o tempo
imerso na ausência,

e não saber se o que é matéria
dilui um nada
de existência,

e resta o filho
com o nome do pai
que é o avô –

bisneto da saudade que há
e mesmo ela, a saudade
conduz
à outra saudade
que é saudade multiplicada
por milênios,

angústia
é não deter a finitude
quando o corpo já não responde,

e a sombra
transcende
cerrando o medo da verdade –

onde somos poeira
varrendo o cosmos da solidão
que se encontra poeira, de mais poeira
somos sol, que brilha e apaga

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

fulgidez

menina d’água
de rubrosas pernas
desejo tua pele de gelo

menina d’alma
florei tuas arcas
de destino venturoso,

fui teu servo mais íntimo
e o mais acerbo
sombrio e quimérico

a tua injúria e o teu suplício
um invólucro noturno na luxúria
o ópio e a melancolia,

agora, que foste embora do meu leito
respiro n’alma os lençóis úmidos do amor
que deixaste, o odor amargo do teu calor
que aos poucos esvai-se, do meu peito